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Bernard Wosien

Meados da década de 70

“Tu que moves o mundo, agora moves também a mim. Tu me tocas profundamente e me elevas a ti. Eu danço uma canção do silêncio, seguindo uma música cósmica e coloco meu pé ao longo das beiras do céu. Eu sinto como teu sorriso me faz feliz.”
Bernhard Wosien

DANÇAS CIRCULARES

As Danças Circulares ou Danças Circulares Sagradas surgiram a partir do movimento iniciado na década de 50, por Bernhard Wosien - bailarino, pedagogo da dança, desenhista e pintor, que dedicou anos da sua vida a coletar danças étnicas, na Europa Oriental. Encontrou ali raízes antigas da arte de (re)ligar o ser humano a “meditação através da dança, como caminho para dentro do silêncio”.

Bernhard Wosien observava que as danças geralmente realizadas em círculo eram praticadas por diversos povos em ocasiões como nascimento, casamento, morte, chegada da temporada das chuvas, colheitas, e refletiam a necessidade de comunhão, celebração e união entre as pessoas.

Em meados da década de 70, na comunidade de Findhorn – Escócia, ele ensinou aos residentes da comunidade, pela primeira vez, uma coletânea de danças folclóricas e nestas rodas ele vivenciou a alegria, a amizade e o amor, tanto para consigo mesmo, como para com os outros e sentiu que a dança em roda possibilita uma comunicação sem palavras e mais amorosa entre as pessoas.

“Quando dançamos em círculo, nos tornamos uma grande mandala em movimento e assim podemos nos tornar canais receptivos de energias sutis.” Wosien

O legado de Bernhard Wosien frutificou e se espalhou pelo mundo.

No Brasil, as danças chegaram na década de 80, principalmente através da “Comunidade Nazaré Paulista” onde elas tornaram-se instrumento de despertar, aprofundamento espiritual, autoconhecimento e vivência grupal.

Sara Marriot, ex-residente da comunidade de Findhorn, veio residir em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, onde divulgou as danças circulares. As danças eram compartilhadas com muita profundidade, como caminho de auto-desenvolvimento. A partir de Nazaré, as danças circulares se disseminaram pelo Brasil, e o primeiro focalizador brasileiro foi Carlos Solano, mineiro que residiu em Findhorn por 6 meses durante o ano de 1984.

A partir de 1992, residentes de Nazaré começaram a focalizar e em 1994 Renata Ramos iniciava seu trabalho com as danças circulares. Através da livraria e Editora TRIOM passou a comercializar os materiais produzidos em Findhorn (tapes e livretos explicativos) e a oferecer cursos e vivências.

Em 1995, Anna Barton, focalizadora de danças circulares Sagradas em Findhorn veio ao Brasil ensinar as danças a convite do estado de São Paulo através da TRIOM, do estado de Minas Gerais através de Carlos Solano e do estado da Bahia através de Sirlene Barreto. Este foi o momento em que as danças circulares realmente ancoraram no Brasil.

A partir destes pioneiros, várias rodas iniciaram e o movimento das danças circulares foi se expandindo.

Atualmente as danças circulares estão inseridas no contexto social em que vivemos.

As danças circulares podem estar presentes em diversos espaços e não há restrições quanto à participação. São dançadas em grupo formando um círculo, e através da música, do movimento, do ritmo e do silêncio meditativo possibilitam a cada ser e ao grupo, a conexão com a energia una e o Espírito da Dança.

As danças circulares possibilitam e incentivam as interações entre as pessoas no grupo, desenvolvem o senso de organização coletiva, resgatam valores humanos, promovem e potencializam a sensibilidade, a atitude de comunhão, o diálogo amoroso e com isso, despertam as pessoas para relacionamentos saudáveis.


“As danças revelam e expressam o sentido da adoração, do culto através da forma e do símbolo. Trabalhando com nossos próprios instrumentos, nossos corpos, traçamos um caminho que conduz a ambas as experiências: de nosso próprio ‘eu’ individual e também da vida do grupo, da comunidade. Isto tem um efeito terapêutico natural, e então estas danças conduzem à cura e ao todo. O que eu tenho compreendido depois de uma vida de dança é que a dança é uma meditação em movimento, uma caminhada em direção ao silêncio onde todo movimento se torna uma oração”. (Bernhard Wosien)

DANÇA CIRCULAR SAGRADA

A Dança Sagrada nasce da identificação do ser humano com a circularidade das forças criativas do cosmos. Nenhuma iniciação antiga era feita sem a dança. O homem via-se integrado a natureza. Dançar, representava o modo mais natural do homem harmonizar-se com os poderes cósmicos.

O homem antigo, integrado à natureza, dançava em círculos os ritmos cíclicos da vida: o nascimento, a puberdade, o casamento, a morte, as mudanças de estações, o plantio, a colheita, o sol e a chuva. Desse modo, celebravam, como ato sagrado, qualquer evento considerado essencial para a vida.
Ao longo da história, esses ciclos naturais foram substituídos por ritmos artificiais, portanto, o homem perdeu o contato com a natureza e os momentos de união com as forças mais sutis, com o transcendental.

Hoje, portanto, com uma nova consciência, esses valores perdidos vêm sendo recriados, ajudando o homem contemporâneo a se( re)conectar com os ciclos da natureza e com a essência da vida.

O termo sagrado está portanto, vinculado a consciência da essencialidade, da natureza de todas as coisas.

“Dançando juntos nos curamos e curamos o nosso planeta, e descobrimos que é possível fazer o mesmo na nossa vida diária... Dançar em círculos ajuda-nos a melhorar e enriquecer a nossa vida: física, mental, emocional e espiritual, o que satisfaz a todos os que entram em contato; e aprender a comunicar de um modo mais profundo e com maior sentido, o que, em última instância, é a única maneira de melhorar e enriquecer o mundo inteiro.” Anna Barton

Carlos Solano, na introdução do livro Danças Circulares Sagradas – Uma proposta de Educação e Cura, compartilha sua experiência vivenciada na Comunidade de Findhorn.

Em Findhorn aprendi:

Que a dança está presente em todas as culturas, porque é parte essencial da vida dos povos;

Que através dela, fundimos os estímulos externos com os nossos próprios e, assim, falamos a sincera linguagem do corpo;

Que, por sua força de manifestação da vida, as danças antigas resistiram ao tempo e chegaram aos nossos dias: danças sentidas e realizadas em sua forma mais pura, e que são a síntese perfeita entre corpo e espírito;

Que, através das danças, irmanamo-nos com povos distantes no tempo, e com o significado dos seus rituais e celebrações.

Aprendi também que as danças foram denominadas Sagradas por Bernhard Wosien porque expressam e, consequentemente nos fazem experimentar – a sabedoria da Alma dos Povos e as qualidades espirituais, “conteúdos primordiais da nossa própria alma”.

ELEMENTOS E SIMBOLOGIAS DA DANÇA CIRCULAR

Os símbolos utilizados na dança circular nos remetem as leis universais.

O Círculo: o círculo representa a unidade do universo e na dança circular sagrada é representada através de todas as mãos dadas, formando a roda. No círculo não existe hierarquia, todos são iguais e cada ponto do círculo tem a mesma distância para com o centro, assim, todos estão em igual condição.

Para Bernhard Wosien, o círculo representa uma imagem do espaço cósmico. Todos nós temos a origem neste círculo. Cada ponto no círculo é um ponto crucial e cada um está em igual distância do centro. Que mostra a origem sagrada.

A Espiral: a espiral representa o movimento do tempo, nos dando a sensação de passado, presente e futuro – um continuum inseparável.

O centro do círculo: representa a força maior pela qual somos guiados.

As mãos e a energia: A beleza do simbolismo da roda pode ser vista também no modo como se unem as mãos dos participantes. Existe um aspecto prático nisso, no que diz respeito a energia que circula o corpo. As mãos devem ser dadas no mesmo sentido de modo que uma fique com a palma virada pra cima e outra virada pra baixo, assim a energia vai circular no mesmo sentido. Uma das formas mais curiosas de perceber a dinamização dessa energia é o calor que começamos a sentir em nossos corpos, pois a mão que está voltada para cima recebe a energia e a que está voltada para baixo dá energia. (BERNI, 1998).

O corpo: Durante as danças, o dançarino deve apropriar-se inteiramente dele, preencher todos os seus recantos. O colloquium internum leva a si mesmo, assim como a fusão com o objeto: calor, circulação e suor produzem um despertar interior, flexibilidade e solução. A inspiração e a expiração são mais profundas, a tensão e o relaxamento são mais intensos, a correção do equilíbrio interno e externo é repetidamente treinada. O aumento do suor leva a eliminação de resíduos. No todo, este processo é, a cada vez, um passo para a auto descoberta. Este processo é comparável a um trabalho de lapidação, que permite ao diamante bruto (dançarino) tornar-se uma pedra preciosa lapidada, brilhante e reluzente. (WOSIEN, 2000).

A dança circular é sagrada, pois oportuniza ao ser humano o contato com sua essência.

DANÇA É ARTE

Dança é expressão da arte. Arte é expressão da Vida. “Na arte aparece-nos a essência das coisas. Não é a visão do nosso mundo cotidiano que nos é revelada, mas sim, uma outra verdade mais profunda.” (Wosien, 2000)

Dança circular – aplicabilidade e benefícios

Além de ser uma prática física, uma possibilidade para a pessoa exercitar-se e divertir-se, também oportuniza a experiência do desafio de participar de uma atividade conjunta em que todos são convidados a vivenciarem a cooperação e a integração para juntos fazerem a roda girar. Nesta oportunidade, cada pessoa vivencia e percebe os seus próprios passos, compreendendo suas limitações, e consequentemente respeitando os limites e o espaço de si mesmo e do outro.

Para dançar não é necessário ter habilidade ou experiência em dança.

O convite é: entre na roda!

A coreografia é orientada pela pessoa que focaliza e os dançantes seguem na roda de acordo com suas possibilidades.
É indicada a todos, independente de idade, crenças, raças, profissões, pois a dança circular contribui para a expansão do bem estar, para uma melhor qualidade de vida.

São muitos os benefícios: físicos, mentais, emocionais, espirituais proporcionados pela dança circular.
Promove a alegria, "acorda” o corpo, dá mais disposição, estimula a concentração e atenção, estimula e amplia a percepção espacial e a percepção auditiva. Contribui para a pessoa ser mais espontânea, favorece a percepção de si mesmo, seus movimentos, dificuldades e talentos, favorece a socialização, as amizades. Libera emoções reprimidas, gera atitudes de cooperação e respeito para com o outro; fortalece o espírito de bem viver com o próximo.

“A dança concede ao homem o brilho e a leveza para as festas e celebrações de sua vida.” Bernhard Wosien

Dança Circular como caminho para a Paz

Como manifestação espontânea, herança ancestral, a dança contribui para que a atuação do ser humano no mundo torne-se ampla e flexível. A dança circular sagrada contribui com a humanidade para uma cultura de amor e de paz.

“A dança reúne, cura, inclui, unifica, ensina, emociona, transcende. É uma parte essencial da Nova Era. Sua influência pode se expandir e ajudar a transformar o mundo.” Anna Barton

Texto: Adriane S. C. Cavalli
Bibliografias utilizadas:
Dança - um caminho para a totalidade;
Danças Circulares Sagradas - Uma proposta de educação e cura;
Dançando o Caminho Sagrado;
Material impresso a partir de Giraflor e Renata Ramos.

 

 

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